Café Garrett

O choque é grande: cabeças de borrego. Assim apresentadas. E no entanto ali está todo um manancial, parte para comer como ensopado, parte já barrado em fatias de pão. Meio esverdeado, que há muita coisa também a aprender nas ervas, nessa sabedoria toda que nos transmite a hortelã da ribeira e o poejo, os omnipresentes coentros. 

Asiático do Príncipe Real

Quem já foi à Ásia poderá corroborar esta opinião (se teve coragem): Food Stalls. O melhor da comida asiática é feito em 34 segundos, em qualquer rua, por pessoas que repetem o mesmo prato vezes sem conta ao longo de anos, ou até mesmo de gerações. E que se tornam especialistas nesse prato concreto.

Quando é que passa de caro a obsceno?

Ganha-se o gosto. E consegue ser vertiginosa. Como em todas as descobertas de novos mundos, tudo é deslumbrante. Mais ingredientes, mais preparações, mais pessoas, partilha de experiências, mais restaurantes, pessoas que comungam dos mesmos interesses, tudo. A história, as estórias sobre a história, a evolução ao longo dos tempos. Válido para gastronomia, entre tantas outras temáticas. 

Espaço Espelho d'Água

Como numa qualquer taberna, começa-se pelos salgados a escolha é muito variada e extremamente apelativa. Ficamo-nos pelos bolinhos de sardinha arroz e acafrão (uma mistura insensata de supli italiano, em forma de pastel de bacalhau, com sardinha bem portuguesa), e pelas chamuças indianas de porco (not) e abóbora. A untuosidade, os pequenos pedaços de carne, o estaladiço da massa. Tudo apela ao consumo excessivo.

Tapisco: “Socarrat”

La bomba de Lisboa. Peçam meia dúzia. Sem qualquer tipo de problema. Uma cassata salgada: centro de carne e alheira, revestido de puré de batata, revestida de migalhas grandes fritas, revestida de aioli, revestida de brava. Servido morno. À meia dúzia. Facilmente. Deixem aparecer os primeiros dias de chuva. Isto e uma garrafa de vinho.

Feitoria: Hoje presta-se vassalagem.

Algo que desvia logo o olhar, aligeira os lábios para o sorriso, suscita curiosidade: uma prensa para o Caneton do Tour d'Argent. Falamos de um equipamento de tortura, uma prensa desenhada para estar ao lado de uma mesa, em que após serem servidos os peitos e coxas de um pato, a carcaça, incluindo ossos, pele e entranhas, são ritmadamente apertadas, e apertadas, com estalidos vários de partes a partirem-se e a serem espremidas...

Claro. Para memória futura.

Há aqui qualquer coisa de muito especial e específico.
Aqui não se “brinca” com a comida. Aqui faz-se comida, portuguesa, genuína, com cuidado bastante cuidado e procura-se que o seu sabor seja de facto memorável.
Se está no prato é comestível. E por comestível, entenda-se que não é decorativo ou acessório. É essencial na conjugação criada, por quem a criou, para ser assim comida.

Euskalduna Studio: Autonomia no Porto

Segunda sopa. Asiática desta vez. Do caldo mais escuro, saem peónias, trevos (nenhum de quatro folhas) e trompetas da morte. Por cima uma gema curada, através da deposição de seis horas em açucar, que depois também passou pelo maçarico. A sensação engraçada de levar uma gema a perder humidade, mas sem a cozer, e depois fazer com que o seu exterior fique crocante e quebradiço.

O Sol quando nasce é para todos (JAS e a gastronomia)

Quanto ao ódio estrangeiro queiram remover ou evitem por favor servir ao autor pelo o penne vegetariano n'O Polícia, o caviar e o Foie n'o Gambrinus (esse famoso rei...da Flandres), o polvo à Galega e o tornedó aux champignons n'o Solar dos Presuntos, o tártaro, bisque, escargot ou scampi n'o Pabe em Lisboa, a lagosta Thermidor, ou o linguado Meunier n'o Porto de Santa Maria no Guincho, só para falar de Lisboa. Retirem também de todas as montras metade da doçaria, como o bolo-rei (sacrilégio, que é francês), mousse, metade dos pudins, éclaires, duchaisses, bolas de Berlim e tantos outros. Orgulhosamente sós, como noutros tempos. 

Façam as vossas apostas Michelin.

Há os que as amam e os que as odeiam. Países que se querem livrar delas, Chef's que se suicidam quando as perdem, gente diz que duplica facturação e tem sala cheia durante os próximos 365 dia graças a isso. Isto é de facto a matéria de que os mitos são criados, e o próximo dia 23 de Novembro, marcará indelevelmente o ramo da Gastronomia em Portugal.

Munchie's Chef's Night Out

O site MUNCHIES, possui uma série chamada "Chef's Night Out", que vai actualmente na sua sexta temporada. Retrata bem, o que é a vida de pessoas comuns, que ganham a vida dentro de uma cozinha: não apreciam estar lá dentro no seu dia de folga, mas também não se afastam demasiado.