Façam as vossas apostas Michelin.

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As estrelas para 2017.

Há os que as amam e os que as odeiam. Países que se querem livrar delas, Chef's que se suicidam quando as perdem, gente diz que duplica facturação e tem sala cheia durante os próximos 365 dia graças a isso. Isto é de facto a matéria de que os mitos são criados, e o próximo dia 23 de Novembro, marcará indelevelmente o ramo da Gastronomia em Portugal.

Para o bem e para o mal, a notícia é a de que o número de estrelas em Portugal vai duplicar.

Como sempre a história é a mesma: a cerimónia vai decorrer em Girona, Espanha e não existe nenhum inspector português nas avaliações.
Tendo em conta que o turismo em 2014 representou para Espanha 10,8% do PIB contra 9,2% em Portugal, e que a evolução de gastos por turista (em função do PIB) é até superior em Portugal (6,0 para 4,7 em Espanha, avaliando o período entre 2010 e 2014), parece uma antevisão lógica a aproximação entre os dois países (não obstante a clara diferença de dimensão).

Dito isto parece pouco duplicar, e isso nem sequer é a primeira vez que acontece.

A história começada em 1974 (com 4 restaurantes: Aviz (Lisboa), Michel (Lisboa), O Pipas (Cascais), Portucale (Porto)), manteve-se praticamente inalterada até 2009 (com 5 restaurantes: Amadeus (Almancil), Eleven (Lisboa), Henrique Leis (Almancil), São Gabriel (Almancil), Vila Joya (Albufeira)).
2010 é o ano de viragem, em que a listagem se amplia para 12 estabelecimentos representando mais do que o dobro do ano anterior: Amadeus (Almancil), Arcadas da Capela (Coimbra), Eleven (Lisboa), Fortaleza do Guincho (Cascais), Henrique Leis (Almancil), Il Gallo d'Oro (Funchal), Largo do Paço (Casa da Calçada, Amarante), Ocean (Armação de Pêra), São Gabriel (Almancil), Tavares (Lisboa), Vila Joya (Albufeira), Willie's (Quarteira), situação esta que perdura até este 2016.

Demorámos 36 anos para duplicar a primeira vez, 6 anos para duplicar a segunda, por isso preparem-se: em 2019 iremos ter nova duplicação para mais de 60 estrelas. Por futurismo que seja, dada a evolução e especialização do turismo em Portugal, não me parece difícil.

Só para que conste, em 2016 Espanha (mais uma vez a comparação) teve 195 estrelas. Existem cidades com mais estrelas do que aquilo que Portugal vai ter, por isso almejar sabe a pouco.


Matemática: As estrelas vão duplicar.

Duas interpretações:
Duplica o número de restaurantes galardoados. E então passamos de 14 para 28 estabelecimentos.
Duplica o número de estrelas real, e por isso passamos de 17 para 34 galardões.

A probabilidade de a montanha parir um rato existe, mas a notícia ganha cada vez mais contornos oficiais.
34 estrelas é muita coisa. É sobretudo muita massa dentro do mesmo prato de uma só vez. A equação torna-se difícil e a bolsa de apostas está aberta. Parece que existe uma dificuldade aparente de conseguir executar esta tarefa de atribuição.

A dúvida grande é saber se alguém leva ou não a distinção: Vale a pena a viagem por si só ***.

Mais do que isso, ninguém está a por a hipótese de alguma das estrelas já atribuídas ser removida ou alterada. Podemos ter a primeira estrela mulher, algumas cidades com a primeira estrela, uma concentração profunda no Algarve, tantas hipóteses. 


Vamos a isto. Apostas:

Como e que se atribui uma estrela? O que faz subir ou descer? Sao inúmeros os casos, e também as respectivas refutações por apresentação de casos alternativos. Ficamos a ver.

Comparo-me com pessoas cujas opiniões respeito muito e coloco-as aqui par a par: 
Tiago Pais do Observador,
Duarte Calvão e Miguel Pires do Mesa Marcada,
Só entre nós


Mas 34? Vão ser verdadeiras surpresas (até porque aparentemente as tendências mais ou menos coincidem), o que poderia dizer-se representa óptimas oportunidades para “promoções”. Basta acertar nelas!

Com muito esforço, o Mesa Marcada chega às 30 estrelas (mas são dois a pensar nisso), o Tiago Pais (se considerarmos que as omissões das estrelas actuais correspondem à manutenção das mesmas), bate nas 28, já os Só Entre Nós, mesmo arriscando, não passam das 24 atribuídas. 

Quem não arrisca não petisca. Atiro-me para as 30 também sem medos. Desejo a todos uma grande sorte, sem percalços, e a acompanhar uma qualquer conta de Twitter de quem lá consiga estar. 
 

Preparar as estrelas de 2017

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Munchie's Chef's Night Out

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