Butcher's: “Templo Carnal”

Butcher's: “Templo Carnal”

Finalmente! 

Desde que vou a Espanha que invejo a qualidade das carnes deles. O sangramento dos bichos e a cura da carne pelo ar, é um processo ancestral de genialidade, cujo quadro legal obsoleto de Portugal, só recentemente foi revisitado, ou se encontrou forma de o contornar. 

Longe vão agora os tempos em que era necessário rumar ao Minho e fechar portas, para ver se por trás delas existia alguma peça pendurada para consumo. 

Na era global, também a carne viaja. E por razões diversas, há de facto raças mais apetecíveis, existem cortes que são regionais, aos quais os nossos talhantes e públicos alvo por cá não estão habituados.
Haver alguém que arrisque é bom. Serem pessoas que trabalham com carne há décadas é melhor ainda.

Por enquanto o alvo são os 35 dias. Encontram-se a preparar peças especiais fora de menu para 60 e 90 dias (grandes!) em arcas enormes logo de frente para a entrada. O orgulho de quem transforma. As origens são diversas, os cortes também. Encontrar T-Bone, New York Strip, Chuletón e Ribeye/Entrecôte no mesmo sítio já é muito digno. Serão talvez internacionalmente os 4 cortes mais idolatrados e ambicionados. 

Não encontrei (bem as facas também são novas) uma peça que requeira mais do que apenas um movimento deslizante. E aqueles traços de gordura, aparados mas com tanto sabor. 

Cada pedaço vem com pimentos de piquillo, batata frita quase alumette (parece que há ali uma opção também com batata doce) e salada. Sal à parte que cada um sabe de si, e sobre a grelha não faz sentido. Mas isto não é sobre acompanhamentos é sobre a mais bela proteína que decidimos comer.
Também há entradas e até um pequeno e simpático tabuleiro de couvert. Mas quem é que decide ir por esta a via depois de ter provado o prato principal apenas uma vez?
Não sei o que são sobremesas.
Fica apenas a faltar a rolha/chateaubriand/tornedó em que o exterior vai ficar crocante pela presença da gordura do marmoreado e tempo de cozedura, e o interior completamente crú. Não é seguramente para todos, é para os que gostam

Situa-se na localização do anterior Petra Rio. Assim que entramos: a carne. A fazer de biombo, separada da sala a fazer lembrar um pouco o “Victor Churchill Luxury Butcher”, em que as carnes são tratadas como jóias. À esquerda o bar e numa parede o grande mural com o talhante, na sua típica veste anglo-saxónica, rodeado de cortes. A garrafeira conexa e por trás a sala, com mesas de variáveis dimensões, com um grande banco de napa e capitonée. O tecto altíssimo encontra-se ladeado em duas das paredes por vidraças de lado a lado, com uma luminosidade que invade e que trespassa. É um sentimento híbrido, entre o ver para fora e estar indefeso no interior exposto a tudo e a todos. A opção do lugar de sentar, acentua ou atenua este efeito consoante a posição. 

Algumas das coisas que se dizem possuem riscos: eu arrisco dizer, que para amantes de carne, este sítio é bem capaz de ser do que melhor existe na cidade. Será mais caro que alguma da concorrência directa mas...são eles que maturam a própria carne e como acréscimo ela é apenas e só grelhada sem adereços com pleno sabor.

Quando as peças de sabores ainda mais intensos estiverem disponíveis (60 e 90 dias): digam por favor!

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