LOB: “Idiomas pobres não diferem entre lagosta e lavagante”

LOB: “Idiomas pobres não diferem entre lagosta e lavagante”

Pessoalmente prefiro que o nosso mar seja “rico” no segundo em vez do primeiro. Tal como acontece entre frango e galinha (uma analogia rebuscada é verdade), o parente maior tende a ser mais duro e mais seco.

Tem a sua utilização é verdade, mas nunca é tão agradável como o mais pequeno (jaquinzinhos, petingas, leitão, vitela, cabrito, não é preciso continuar, correcto?)

E ansiava à anos, por ver sandes “do Maine” recheadas com lavagante por cá. Street food noutros países, um aparente luxo por cá. Que boa ideia.

E do menu foi assim:
Clam Showder: Creme aveludado de Ameijoas, Aipo, Batatas, Bacon e Ervas. Também era uma tradição do Sul dos E.U.A. que queria experimentar e foi directo para o clube de fãs. Há alguma coisa de intrinsecamente confortante naquele caldo. Acho que na listagem de ingredientes, faltam as natas e a manteiga que quase de certeza levam. É algo de profundamente genial, sem que bacon seja omnipresente como normalmente, e a batata cozinhada naquele ponto em que não se distingue fisicamente do resto da sopa, mas quando a colher já está na boca, ela existe, está ali. Por mim, apenas uns coentros ou uma noz moscada e iria lá buscá-la dia sim dia não. Graciosamente dividido pela casa em duas taças, e acompanhado de tostas de pão integral.

Miss Diva: Sandwich de Lavagante, manteiga de corais, cebolinho e limão. A estrela da companhia. Perfeitamente unido, o pão, mole, para absorver aquela manteiga, cujo sabor a ovas, não é assim tão evidente (com muita pena minha). O interesse no entanto, é a suculência do bicho, cozinhado exactamente no ponto. Simplesmente adorável (se eles tivessem drive-in então...)

King Lobster: Lombo de Lagosta grelhado com manteiga de ervas e limão. Para o final, o festim. A medo que o rabo do bicho era avantajado. No entanto e contra os preconceitos, também não estava seco, bastante bem temperado e saboroso.
Acompanham todos com uma salada mignone em copo, batatas fritas onduladas extremamente estaladiças e propositadamente sem sal (quem quiser que ponha).

O único a apontar, é que se estamos em casa e não na rua, não vejo necessidade para tanto desperdício de ecologia: as taças em poliestireno, os autocolantes de todas as cores muito giros a cobrir as travessas, o papel encerado a revestir tudo, os pequenos copos para o molho. Também não o veria a rua, mas aqui parece mais impertinente. Existem hoje soluções bem mais degradáveis com recurso a amidos de milho e também a bamboo, que reduzem bastante a pegada.

A casa em si, pequena, de dois pisos, vive a marca como poucas o fazem, desde o neon exterior a todos os tons interiores, a parede de azulejos longitudinais, os pretos para os metais, tudo aparentemente resulta.
Destaque para os postais grátis, todos da casa, todos com trocadilhos de palavras.
O piso superior é surpreendentemente calmo e embora dali não se aviste, lá está o retrato de Lisboa vista da àgua, que tanta paixão suscita. Talvez seja para turista ver, não é seguramente de onde a matéria prima vem, talvez seja um momento de inspiração.

GO New England! Já só me falta um clam bake e acho que serei feliz!

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