Ribs & Company: “Fã do Guy Fieri”

Ribs & Company: “Fã do Guy Fieri”

As colinas do Cruzeiro em Odivelas, estão lentamente a transformar-se numa estranha meca da restauração. Na mesma rua, existe um americano, um bar que leva pessoas de Lisboa a deslocarem-se para a periferia, e um portuense, lider em francesinhas. Na rua de cima um mexicano. Tendo a querer ir à churrasqueira que está à esquina, apenas e só, porque o que ali se está a produzir, num dormitório é amplamente superior em diversidade à media.

O que eu não dava por um churrasco coreano!

Finalmente abriu um americano!

A primeira vez que pus os olhos no Guy Fieri saiu-me: redneck. Pensei em preconceito contra comida norte-americana, contra comer até empanturrar, contra sabores conquistados através de açúcar e sal e nada mais do que isso.
Depois encontrei um livro chamado Heritage (Sean Brock), sobre um legado, variedades autóctones, e uma história falada, sobre a gastronomia norte-americana.

O Guy entretanto mudou de registo (mas não de Camaro, camisa, cor de cabelo de enfeites nos dedos), para um chamado triple D's. Que eu honestamente amo. E gosto, porque me está a ensinar, que o melting pot que os estados unidos da América são, produz muita e boa comida, que só faz sentido ali, porque um judeu casou com uma nativa americana, adoptaram um coreano, e abriram um restaurante vegetariano português/nepalês.

Foi com muito prazer, que vi parte do programa, ali para os lados de Odivelas.

E há ali tanta coisa para experimentar.
Começa-se por nachos e Jacked Potatoes. Os nachos com “dollops” variados de tralha por cima, com refritos e queijo, natas e guac. As jacked Potatoes, em variedade que aguenta bem o calor e permanece rígida, com chilli do bom por cima, e queijo, claro.

As carnes já foram todas, a preferência para a manta, bocados rosados de um bacon curado, entrecosto sem osso que ali nos servem. Para as buffalo wings também, muitas, com molho, largado para dentro da saladeira e depois amplamente agitado.

Os fumados não são tudo, mas pelo sim pelo não, mantendo a tradição americana, já começou o concurso de quem consegue comer o hamburguer gigante: 1,8kgs de carne, 35minutos, por marcação à quarta-feira ao jantar. Quem conseguir não paga, ganha um voucher para a próxima refeição, e o direito a utilizar a t-shirt da casa. Não tem picante que dificulta ainda mais a coisa.

Para além das carne há tudo o resto. Sobretudo as batatas doces fritas (pré-cozidas e muito agradáveis), há as maçarocas com manteiga de alho (como é que os madeirenses nunca juntaram as duas coisas que comem amplamente), a coleslaw obrigatória, o mac and cheese gratinado. Acompanha também com corn bread, ultra tradicional, que afinal chamamos de broa da milho.

Se isto não for suficiente, ainda temos 4 molhos de temperaturas distintas para apimentar a coisa, e claro, o pequeno balde de amendoins da entrada.
As sobremesas incluem sempre gelado que sai em formato de semi-frio da máquina. Serão porventura o menos conquistado, mas também é tão difícil de chegar lá!

É um prédio de habitação cinzento. Tem uma cadeira velha cá fora, com uma tabuleta de madeira pintada à mão que diz: aberto!
Lá dentro o registo varia, pela profundidade gigante da loja. Mesas e lambrins de madeira muito sólidas, TV's lá no alto de VH1 agressivo. Tubos de obra, servem de separadores entre zonas e de pés para mesas.
Tudo muito castanho e industrial, com garrafeiras protegidas por amplas malhas de rede.
Sofás em napa avermelhada, cadeiras altas ou baixas consoante as mesas disponíveis.
Lâmpadas LED's a imitar as antigas, mas o que sobretudo cativa é a gigantesca janela para dentro da cozinha.

O Chef de grande porte, comanda à americana: grita o pedido, e as diversas estações respondem pronta e eficazmente, por entre passagens rápidas por trás.
As coisas mexem-se a uma velocidade estonteante, com criaturas que deambulam num bailado fardado. Dentro da cozinha, acima da janela, apenas se vê um fumeiro de serviço á sala, mas diz que nas traseiras, existem mais dois, de grande porte. Todos atravessaram o oceano para nos servir. E também é assim a história da propriedade, com propriedade prévia estabelecida no U.K., mas com desejo de voltar. E fez ele muito bem!

Finalmente abriu um destes, e se calhar passa a visita frequentemente para os Domingos.

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