Frida - Cocina Mestiza: “Decorem as minhas palavras: Mechiladas”

Frida - Cocina Mestiza: “Decorem as minhas palavras: Mechiladas”

Na zona das galerias (não as de Paris, mas as outras as que possuem arte mesmo, da Miguel Bombarda), o nome não parecia escrito ao acaso. 
De luz relativamente baixa lá dentro era difícil distinguir se quem por lá andava, possuía bigode e monocelha para além do avental como uniforme. 
Se há coisa agradável no Porto, é que a restauração, consegue seguir o efeito da parca iluminação das ruas. Há um conforto gigante no seu interior, muitas vezes acompanhado de música jazz, de sombras que se mexem, de pouco ruído contrastando com as pessoas amáveis e afáveis que prestam serviço. 
 

Chegámos antes. 
Sentámos placidamente com uns totopos e um pico de gallo à frente. Se o pico de gallo, achei que lhe faltava “molho”, com algum ácido à mistura (mas que ignoro a veracidade da existência do mesmo por lá pela terra onde o inventaram), por outro lado os Totopos pareceram inventados pelo mesmo diabo que trabalha na secção de pesquisa e desenvolvimento de aperitivos da Matutano, pelo viciante que são...mas...em bom! Em óptimo, em genial! Dá para por aquilo a acompanhar tudo? 


A acompanhar de suave uma Piñada? ( sem álcool, com coco e ananás) e uma margarita. Na cozinha ouve-se a batedeira especializada em granizado a funcionar. 


Uns tacos. Três. Mais memorável o de pato. Fez-me lembrar algo semelhante, tacopato de nome, que se come na Gabinoteca em Madrid. Depois as carnitas com o seu tempero presente, depois o borrego, que tem a mania de secar mais.
Huarache de Huitlacoche: (chama-se a isto um travalinguas, e desafio todos a tentarem dizê-lo primeiro sem álcool no sangue e depois com algum). Proponho que no menu passe a constar: simplesmente conhecido como Huit! Se formos falar de preconceitos eles começam a cair aqui. Terceira coisa a comer, nenhuma delas picante, e sobretudo não obrigatoriamente mais do mesmo. Não tex-mex seguramente. Bem confeccionado, com sabores do outro lado do mundo. Por baixo uma “tosta” que agarra a coisa, depois frijoles refritos, depois o tal fungo por cima com bagos de milho? e no topo uns cubos de queijo branco suave. As cores poderão não ser as mais apetecíveis, o sabor está lá. 

Chile en Nogada: Impossível não pedir, um dos episódios memoráveis do Guy Fieri. No meio da conversa, sobre o menu, produtos locais, e vir o prato perdi-me. Quando chegou, não percebi o que era aquele “paio” esverdeado, coberto de molho e bagos de romã por cima. Pimento? Este foi para mim, talvez o mais bem conseguido de todos. Há uma ligeira aproximação a sabores nacionais, mas só enquanto elementos separados. Depois de tudo em conjunto, perdem-se as parecenças, aparece todo o exotismo e tropicalidade expectáveis da coisa. 
A meio entra o trio Mariachi pela sala dentro, completamente equipado a partir da cozinha, a tocar Chingón! ...Não entra nada. Não disse já que isto era sério? 
Tamal de rajas: O que é que é Nixtamalizado? Não perguntei na altura e pesquisei depois. Hoje sei, que é a cozedura do milho, com recurso a água e cal. Cal? Cal das paredes? ...Ok...É bom, continua tudo vivo para escrever sobre isso, logo não deve causar grandes males. Mais do que isso tem a ver com a cozedura dentro da folha de bananeira. De alguma forma a coisa adquire a textura de um pudim bem denso, uma gelatina não transparente, com uma grande dose de sabor. Como alguns pratos asiáticos, mas muito mais panache. 
Mixiote de Pollo: As tortilhas de facto são acabadas de fazer, ou pelo menos aparecem quentes e nuns pequenos sacos de pano, que as conservam com alguma humidade (como os sacos de pão antigos, mas de formato adaptado). Isto misturado com um frango que esteve e amolecer e a ganhar sabor dentro de uma marinada intensa, faz com que simplesmente não haja frango assim por estas bandas. 

Já no campo das sobremesas, optou-se pela Carlota de Lima, e pelo Pastel Imposible. Como foi referido à mesa, eventualmente a Carlota é prima da Charlotte, essa grande europeia. Não fiquei assim tão fã dos doces, mas também raramente o sou. Preferirei sempre os salgados. 
E com isto tudo esquecia-me do título: Mechiladas! Eu não gosto de cerveja. Já tentei, marcas, temperaturas, copos, o que seja. Não aprecio. Não sou irredutível no entanto e para mais, não ia fazer uma refeição a Maragaritas. Pediu-se uma poção destas, provei e gostei. Consiste num copo grande, uma garrafa de cerveja e colocar dentro do copo, especiarias e molhos ao qual depois se junta a cerveja. Por especiarias e molhos entendam-se tabasco, molho inglês, chillie, esse tipo de coisas. 
É brutal e aposto que qualquer ressaca fica redimida a 0 num instante! Muito melhor que qualquer Bloody Mary.

De montra envidraçada e sala pequena, pouca presença tem o Frida a partir de fora. Hoje com o advento de todas as aplicações interligadas, qualquer telefone sabe dizer onde as coisas se encontram. 
No interior a luz reduzida já foi referida, à qual se alia o conforto de alguns sofás de couro bem curtido e escuro. De um dos lados a parede ondulante, abriga pequenos nichos de exposição com alguns objectos e luz teatralmente disposta para os exacerbar. Na parede contrária, completamente revestida a papel de jornal, com notícias que nos contarão eventualmente uma história de um tempo passado e que ali ficou perpetuado e exposto. 
Mesas e cadeiras escuras elas também, mas numa sala cheia a ponto de ter de se mandar possíveis clientes embora e por outro lado com tanto prato servido mal se vêem. 
Os funcionários de grande cortesia e simpatia, não se coibindo de explicações e perguntas sobre o estado dos pratos servidos. Todos portugueses, o que não aconteceu com alguns (alguns mesmo) dos clientes dessa noite, em que o castellano esteve muito presente. 
Não sei se é verdade, mas soube-me a México.


Fazer 300kms para ir ao mexicano, sempre é mais perto que um vôo intercontinental.

 

Tasca Kome: “A Embaixada”

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