A luta das pimentas

A luta das pimentas

Uma época houve, em que a Europa (e o mundo na sua maioria dita "civilizada"), desconhecia a pimenta preta, hoje abundante e barata. 

Os gregos foram os primeiros a aderir a uma planta vinda do Norte de África, que enquanto especiaria, tinha mais poder do que todas as outras juntas: a pimenta longa (piper longum).

Hoje quase esquecida, rara para dizer o mínimo, faz confusão como foi possível chegar a este resultado. Quem já a provou, sabe que é bastante mais complexa e especiada, pungente e fragrante. 

É quase como comparar uma marca de luxo, com as cópias do mercado de Domingo. 

Esta é uma história de procura e de oferta, e de como a quantidade venceu a qualidade. 

Até cerca de 1700, a pimenta longa coexistia com a pimenta negra (piper nigrum) na Europa. Os livros mais antigos registados por cá de conhecimento culinário, muitas vezes nem sequer faziam a distinção entre ambas. 

Havia no entanto o apelo para um maior consumo e os importadores fizeram uma opção comercial: a via marítima em detrimento da via terrestre a partir da Ásia (sim, possuímos responsabilidade apurada na coisa). A pimenta longa viajava por rota terrestre, fazendo o seu transporte, mais arriscado, em menor quantidade e consequentemente mais caro. 

Assim se finou, embora não completamente. 

Mando vir a minha pimenta longa daqui. Só compensa mandando vir alguma quantidade de especiarias, por causa do preço dos portes. 

Recomendo a toda a gente que experimente. Vale definitivamente a pena. 

 

O coleccionador de Sementes

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