Portugal Lá Fora: Açores (Azores, vá...)

Portugal Lá Fora: Açores (Azores, vá...)

Enquanto vou lendo a recente série do Público "volta às ilhas" (que também inclui o arquipélago da Madeira), vou pensando no tão pouco que conheço dos Açores. 

Ao mesmo tempo, eles vão saindo da "casca". A primeira vez que me lembro de ver os Açores numa publicação internacional, caiu sobre a criadora de tendências Monocle, sob o capítulo economia, no N57 de Outubro de 2012. O artigo bastante extenso, chama-se "Waiting in the isles", "Têm Sol, são lindos e seguros, mas Portugal, não parece saber o que fazer com eles. Talvez seja tempo de começar a reconhecer o potencial dos Açores" - diziam. Aventavam-se 12 ideias sujeitas a debate, para colocar o arquipélago (para o bem e para o mal), no centro do mundo, desde ser a prisão da europa, o centro de ESA, para lançamento das missões espaciais, o centro europeu para observação espacial, o banco de sementes do mundo, a última bioesfera à face da Terra, ou simplesmente um sítio com mais turistas. 

Manifestamente passados 4 anos, optámos pela última opção. Houve pelo menos um festival que se começa a destacar pela gastronomia apresentada. E sendo para locais, há cada vez mais gente a ir fazer uma visita às ilhas apenas para disfrutar do 10FEST

Recentemente a Food Republic, dedicou um artigo, onde se propõe a aflorar a gastronomia local, dando a conhecer 10 produtos locais, ditos essenciais: 

Queijo: Claro que sim. Os produtores concentrados de lacticínios de Portugal, em que agora começamos finalmente a ver mais do que apenas a manteiga e o queijo de São Jorge, mas ainda assim tão característico, salgado e picante à fatia pela dimensão supranormal que possui.

Marisco: Esta parte do artigo é engraçada. "Seafood", é bastante mais amplo do que marisco, por isso enaltece-se a dimensão do atum exportável para o japão, de variedades locais de peixe cujos nomes são indecifráveis, ou das moreias (que não sendo marisco, dificilmente serão peixe). A seguir passa-se efectivamente para o dito: as lapas, as cracas e terminando nos cavacos, que o autor nunca chegou a provar. Sorte a nossa, que ficam escondidos durante mais algum tempo. 

Fruta Tropical: Para além dos ananases, bananas e maracujás, fala-se da ex-riqueza de São Miguel, as suas laranjas sem comparação, mais amargas que o produto em série de climas temperados e generosos. 

Cozido das Furnas: Sabendo que o cozido é o prato unificador nacional, a especificidade regional, atinge o seu climax em São Miguel, nas furnas. Por muito que se debata, apesar de todo o espectáculo turístico montado aqui existe uma simbiose com a terra mãe, diferente de tudo o resto. 

Vinho: Sobre a Azores Wine Company e o António Maçanita, que olhou para a Ilha do Pico, e plantou videiras de Terrantez do Pico entre quatro muros, reiniciando uma história perdida com a Filoxera.

Carne: Todas as vacas vivem aparentemente felizes nos Açores. Quer as de produção leiteira, quer as de produção de carne. Aliado à pastagem natural, de material verde, à ausência de elementos perturbantes e poluentes, o gado bovino, sobre de subsistência para "delicatessen". Entre a simples carne grelhada e a alcatra no seu tradicional guisado, tudo serve. 

Sopas e guisados: Outra tradução engraçada, a Sopa do Espírito Santo, comida na quaresma, uma açorda em que o pão é embebido em caldo de carne, as diversas sopas de peixe e marisco, e o Polvo à moda do Pico, guisado e forte, de Inverno. 

Hidratos de carbono: Ou sobre a confeitaria conventual que aqui chegou do país eminentemente católico que somos. Há doces por todo o lado, e as queijadas com receitas quase pessoais fazem sucesso entre todos. Para além disto, os dois pães específico que são a massa sovada, e o bolo lêvedo.

Chá: A única produção de chá europeu. E pronto. Não há comparações, não há outras opções. A Gorreana e a Porto Formoso, ainda assim competem uma com a outra. 

Café: Não só a questão de se beber com café nos Açores (como em todo o Portugal), mas o facto de haver pequenas produções de Arabica nos Açores, o que muito surpreende quem lá vai. 

Não conhecendo tão a fundo, este artigo ainda dá mais vontade de visitar os Açores. Mais vezes, mais tempo, com tanta coisa tão bela para se ver. 

Muito obrigado, Jenny Miller, por este artigo

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